Episódio 3 – Revisitado (e Aumentado!)

Versão “redux” no nosso episódio nº 3 – “O Lado Certo do Padrão”. Acrescentámos a história de como uma vila portuguesa enfrentou Salazar, todo o Estado Novo e até o Brasil. E porquê?

Episódio 3 – Revisitado (e Aumentado!)
|Produção e apresentação: Marco António
|Tema oficial: Fado do SonhoPensão Flor
|Música adicional: Lee Rosevere | Orquestra Popular de Paio Pires

Sabia que a vila de Belmonte impediu que a santa da terra, a Nossa Senhora da Esperança, regressasse ao Brasil, 500 anos depois de Pedro Álvares Cabral a ter levado na viagem em que fez a descoberta do território?

E, ao fazê-lo, desafiou uma decisão de Salazar, ameaçou enviados do Estado Novo à vila e afrontou toda a Nação do Brasil, que queria que a mesma imagem que vinha a bordo com Pedro Álvares Cabral estivesse na inauguração de Brasília – e provavelmente que lá ficasse (fazendo fé na “oferta” de Salazar, que a havia prometido aos brasileiros).

A imagem nunca chegou a sair de Belmonte e a Brasília só chegou – dois anos depois do previsto – uma réplica, que hoje é a padroeira da paróquia de Nossa Senhora da Esperança, em Brasília.

Mais imagens em 360º aqui:
http://www.pnse.com.br/fotografia360

* * *

Nota: Este é o artigo que publicámos em julho de 2017,
com o episódio “3. O lado ‘certo’ do Padrão” 

O Padrão dos Descobrimentos já tem duas vidas para contar. E tem dois lados, mas há quem garanta que só um deles é o lado “certo”.

O Padrão dos Descobrimentos… quase nem chegou a existir. Foi criado numa noite (madrugada, melhor dizendo) em 1939, por Cottinelli Telmo, mas só depois de lhe ter sido dito que ao plano geral para a Exposição do Mundo Português de 1940 – que tinha coordenado – faltava “qualquer coisa”. Ainda que contrariado, criou um monumento (que depois foi modelado em gesso pelo escultor Leopoldo de Almeida) e não só foi a estrela da exposição do Estado Novo, como vinte anos depois foi construído de forma definitiva, em betão e pedra, junto ao Tejo, onde ainda hoje é uma das estrelas do turismo em Lisboa.

As figuras – 33 – de homens importantes nos Descobrimentos (saiba quem são todos eles no site oficial do monumento, aqui: www.padraodosdescobrimentos.pt) foram executadas entre 1958 e 1960 por duas empresas de Pêro Pinheiro. Pardal Monteiro e José Raimundo foram os mestres canteiros escolhidos e a cada um coube a responsabilidade de executar o conjunto escultórico de um dos lados do monumento (a figura do Infante D. Henrique – ao centro, frente do monumento – foi de execução partilhada).

Para ter uma ideia da real dimensão das figuras que hoje em dia pode ver no Padrão dos Descobrimentos, esta é uma fotografia de 1940, com o mestre Leopoldo de Almeida a modelar o gesso em que foi construída a versão original do monumento.

Foto: Mário Novais (1940)

Mais fotos da construção da versão original do Padrão dos Descobrimentos aqui.

Neste episódio entrevistámos Humberto Raimundo Simões, filho de José Raimundo, que trabalhou com o pai neste e em tantos outros projetos da empresa José Raimundo e Filho, Lda., que revelou que o escultor Leopoldo de Almeida só ficou satisfeito com um dos lados do Padrão. Como de resto, se pode ver nestas duas medalhas comemorativas com a imagem do monumento.

Agradecemos a Ana Vitorino a ajuda que nos deu para chegar a esta história.